Vamos lá então organizar as ideias e responder às questões que me colocas, não só tu, como o nosso amigo Firmino (professor, amigo e meu ex-colega de turma em Évora) que muito tem enriquecido este blogue.
Antes de mais sou obrigado a pedir desculpa a quem nos lê pelo que propus no meu primeiro post sobre esta questão. Estava a ser sincero e só no dia seguinte soube que também eu havia sido rasteirado pelo ministério da educação. Já não há expulsões, logo não as posso propor. Mas posso criticar veementemente esta medida, não que a expulsão fosse importante em si, mas como medida dissuasora sempre teve algum peso. Por outro lado, e como os tempos avançam, o tipo de expulsão que propunha não era mandar os miúdos para casa a seu bel prazer, mas sim colocá-los a fazer trabalho comunitário até ao final do ano lectivo e se possível que esse trabalho fosse realizado dentro do próprio estabelecimento de ensino para que servisse de exemplo a outros... Não sou de todo mestre em pedagogia, mas "obrigar" os alunos a passar, ter medo de os suspender, ter medo dos pais dos mesmos e tudo isto com o aval do governo é sem dúvida uma aberração. Não descupabilizando a professora, hoje em dia os docentes têm que ser verdadeiros super-homens e mulheres para aguentar este quotidiano (ainda por cima aumentaram-lhes a idade da reforma).
Quanto à operação de cosmética de que falas (para Bruxelas ver) só posso concordar contigo e não é só por estes casos já batidos e rebatidos. Lembro apenas outros dois exemplos do absurdo em que tudo isto se está a tornar: -Novas oportunidades, não tendo, à priori nada contra quem quer aprender hoje por não ter tido tempo ontem, parece-me estranho que haja pessoas que levem 3 anos a estudar a sério para fazer esses mesmos 3 anos e outras que através deste programa e com meia dúzia de horas fiquem com as mesmas equivalências. E lá está meu irmão Bruxelas vê que em Portugal toda a gente tem o 12ºano, e nós por cá vemos uma cambada de gente cada vez mais impreparada...
-Segundo e flagrante exemplo de que não me consigo esquecer, pois ultrapassa tudo o que há de razoável: Lembras-te quando o ano passado ou há dois anos no exame nacional de Português os erros ortográficos não contavam para baixar a nota? Que bela média ostentámos... Quantos analfabetos tiveram médias superiores a alunos de outros anos só para Bruxelas ver... Como vês quanto a isso nada a dizer. Estamos juntos.
Há contudo uma discórdia ainda. Quando falas no Vasco Pulido Valente (O Firmino também elogiou muito o seu texto) dizendo que os miudos em casa de certeza que não fazem a mesma coisa... Desculpa Pedro, mas é um pouco demagógico. Tu em casa também não o fazias, nem eu, nem a maoiria dos adolescentes. É completamente diferente uma relação familiar com uma relação aluno(a)/professor(a) e como tal compará-las não pode fazer nenhum sentido. Olha se eu fizesse em casa algumas coisas que sabes que fiz na escola??? Não vou por aí. Quanto ao texto do VPV concordo com quase tudo, mesmo sendo um texto que diz muito pouco, contudo não posso calar o que me faz mais confusão: Confundir autoridade com uso da força "porque não acredito que ela goze em casa da impunidade de que goza na escola. Na escola não lhe podem responder bofetada a bofetada".
Quanto às restantes questões que me foram colocadas vou tentar ser mais sintético.
O que é que eu faria numa situação daquelas? Não sei. Sei que aquilo não se passaria daquela forma como sei a forma como costumo lidar com telemóveis ou bilhetinhos... E se num bairro problemático num contexto extra-curricular te apontassem uma faca (aconteceu-me há 3 anos) que farias? Ninguém sabe, nem eu até ter feito o que fiz, e isto para te responder a outra questão, não há nem pode haver curso nenhum( superior ou não) para ensinar a lidar com este tipo de questões. Em primeiro lugar, porque não há duas situações iguais, e em segundo, porque duas pessoas diferentes não podem nem sabem agir da mesma forma. Não me parece de todo que isto se possa aprender. Quanto a aprender-se teorias do Rosseau não vejo nenhum mal nisso, antes pelo contrário, não querendo ir por aí alguém acredita que há bons e maus como nos filmes classe B e , havendo, alguém acredita que já se nasça assim? Somos todos um produto do que nos rodeia e o máximo que podemos fazer é tentar tornar o mais harmonioso possível o que está à nossa volta, principalmente se estamos numa escola. Ainda na indisciplina, é evidente que a avaliação dos professores não vai responder a este problema, mas também não me parece que seja esse o objectivo principal. O seu a seu dono. Bem ou mal o que responde a este problema é a avaliação dos alunos e para que tal seja bem feita é bom que seja feita por professores competentes.
Não conheço bem os critérios que querem aplicar na avaliação dos professores e posso até discordar de uma série deles, mas sei , pelos muitos professores que conheço e dos muito que tenho ouvido que os professores não estão contra o facto de serem avaliados, mal seria se assim fosse. Penso é que deve ser uma avaliação com cabeça, tronco e membros e só começar no próxi mo ano lectivo, mas é uma reforma que tem que avançar e que não deve meter medo à classe.Quem não deve não teme. E se pensares fora do ensino oficial, tanto em escolas profissionais, privadas, ou outro tipo de ensinos (por exemplo a jovens problemáticos) essa avaliação já existe e com critérios que variam de estabelecimento para estabelecimento. Já leccionei em escola profissionais e já me aconteceu mais que uma vez ir ao conselho executivo por falhar determinada norma. Nunca me tirou o sono nem nunca fui para a rua por isso, pois o trabalho era credível. Se por algum acaso se tiver medo de pais, primos, irmãos ou avós não se mostra nem se aceitam ameaças como "vou dizer à minha mãe para lhe dar negativa", pois caindo neste erro estamos perto do precípicio da professora do Porto. A autoridade ainda está em quem lecciona e é quem lecciona que dá notas. O que é que acontecerá quando o abandono escolar e as notas fizerem parte da avaliação dos professores? Espero que nada de extraordinário. As notas, em príncipio devem bater mais ou menos certas com as notas dos exames, ou seja, professores que comecem a pensar em dar notas pensando primeiro nas suas podem ou devem ter problemas. Quanto ao abandono escolar... Desde que não recaia sempre sobre o mesmo(a) professor(a)...
É pelo menos com isto que eu conto. Ou será que estou louco?
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24/03/2008
Para Bruxelas ver (Conclusão)
O titúlo deste post em três partes remete para o facto destas medidas de Educação do Governo serem apenas meras operações de cosmética. Nuno, apesar de toda a argumentação (da qual eu concordo) tua e do Daniel Oliveira não me consegues dar resposta ao que está verdadeiramente em discussaõ aqui:
- Em primeiro lugar, que os alunos já não podem chumbar por faltas ( e só por puro masoquismo hoje chumbam por falta de aproveitamento...).
- Em segundo lugar porque já nenhum aluno pode fazer o que quiser e ser expulso da sua escola. Tu lembras-te de certo aluno no Pedro Nunes que molestou uma professora na aula e foi expulso da escola em 1992? Falou-se muito disso na altura e o estafermo ainda se passeava pela Álvares Cabral a mostrar a mota e ir jogar snooker ao Jardim Cinema, mas estava expulso, na rua. Não me lembro do nome do sacana, mas com esforço ainda vou lá. Talvez tu te lembres do nome...Fica a pergunta: Hoje como seria?
Em relação à questão da educação nas nossas casas, aí parafraseio Vasco Pulido Valente. Qualquer coisa assim - "De certeza que em casa não faria aquilo". Voltando a Vasco Pulido Valente, "na escola hoje manda a canalha". E eu acrescento - e as estatísticas...
- Em primeiro lugar, que os alunos já não podem chumbar por faltas ( e só por puro masoquismo hoje chumbam por falta de aproveitamento...).
- Em segundo lugar porque já nenhum aluno pode fazer o que quiser e ser expulso da sua escola. Tu lembras-te de certo aluno no Pedro Nunes que molestou uma professora na aula e foi expulso da escola em 1992? Falou-se muito disso na altura e o estafermo ainda se passeava pela Álvares Cabral a mostrar a mota e ir jogar snooker ao Jardim Cinema, mas estava expulso, na rua. Não me lembro do nome do sacana, mas com esforço ainda vou lá. Talvez tu te lembres do nome...Fica a pergunta: Hoje como seria?
Em relação à questão da educação nas nossas casas, aí parafraseio Vasco Pulido Valente. Qualquer coisa assim - "De certeza que em casa não faria aquilo". Voltando a Vasco Pulido Valente, "na escola hoje manda a canalha". E eu acrescento - e as estatísticas...
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DA (des)EDUCAÇÃO II

Depois de tanto que tenho lido gostei deste apanhado do 2+2=5 que responde a tanta gente e de forma tão clara.
Deixemo-nos de hipócrisias.
"Os anjinhos dos bons velhos tempos Fiquei chocadíssimo ao aperceber-me de que, afinal, só a minha turma do liceu é que gozava perdidamente com os professores.Recordo-me do J. e do S. a emitirem um programa radiofónico lá da última fila nas aulas daquele professor de História surdo; da professora de Português estrábica a quem nunca respondia o aluno que interrogava, mas outro sentado no lado oposto da sala; ou da turma toda a uivar quando a professora de Inglês que usava mini-saia se esticava toda, de costas para nós, para escrever no alto do quadro. E fico-me por aqui.Castigue-se quem deve ser castigado, mas poupem-me às prédicas sobre o respeito dos alunos pelos professores nas escolas do antigamente(...)
"João Pinto e Castro. ...bl-g- -x-st
"No meu tempoHá dias recebi um convite dos colegas para participar no 30º aniversário do fim do nosso ano de liceu. Não poderei participar, mas sei quem lá encontraria: senhores e senhoras de meia idade, pais e mães de família, empresários, quadros superiores, médicos, advogados, arquitectos, certamente também alguns "falhados".Frequentei o liceu numa cidade de província, uma escola pública. A escola, sem ser de elite, tinha uma boa reputação. O director era um padre jesuíta, muito respeitado dentro e fora da escola e, por nós, também temido. A maioria dos outros professores também não tinha problemas maiores de disciplina. Mas havia as aulas de educação visual, em que sempre jogámos às cartas, o que a professora fingiu não ver. Tínhamos 14 ou 15 anos. As aulas de latim, dadas pelo Dr. S., de quem me lembro hoje com respeito e carinho: era um senhor perto da idade de reforma, tão delicado que quando nós cruzámo-nos com ele na rua, levantava mesmo para nós adolescentes o chapeu, cumprimento já na altura antiquado. Isso não impediu que, quando nos virava as costas na aula, lhe atirámos com bolinhas de papel.E havia a professora de inglês, Mrs. T., que recentemente tinha enviuvado, o que poderá ter contribuído pela sua incapacidade de impor disciplina nas suas aulas. Lembro-me de uma em especial. Alguém tinha trazido uma bola de futebol para a sala, e a professora teve a triste ideia de tentar confiscá-la. Durante minutos, a bola voava de um para outro, para o gáudio de todos. Continuava a voar ainda algum tempo, mesmo depois de ela ter desistido e ter voltado a debitar a matéria, que nós ignorámos como ela então ignorava a bola.O que distingue o nosso caso de 1974 do da Carolina Michaëlis é que não tínhamos como gravar e colocar o espectáculo no Youtube.
"Lutz Brückelmann. quase em português
Frequentei o ensino público antes do 25 de Abril. Sou professor. Tenho filhos. A escola hoje é muito menos violenta, do que a do meu tempo de aluno, e responde a desafios maiores. Bendita democracia
"(...)Sempre houve indisciplina na escola e nas salas de aula. O tempo que as pessoas fantasiam nas suas cabeças desapareceu há umas décadas. Aceito, no entanto, que hoje seja mais grave. Algumas de muitas razões: famílias demissionárias ou ausentes (as mulheres hoje trabalham e espero que não as queiram de volta para casa), formas de socialização entre adolescentes que os pais e os professores desconhecem e com os quais não sabem lidar, concentração de miúdos problemáticos nas mesmas escolas e turmas, pais e alunos que não respeitam a escola porque não a vêem como uma forma de ascensão social, depreciação da imagem do professor, confusão entre autoritarismo e autoridade (sem a qual a educação - aceitação de que a pessoa que está à nossa frente tem qualquer coisa para nos ensinar - é impossível), uma escola cada vez mais distante da realidade quotidiana vivida pelos adolescentes, a hiper-mediatização de cada episódio que deixa de poder ser gerido dentro da sala de aula e passa a ser debatido por todos (para esta última contribuo eu próprio).Alguns destes factores são inultrapassáveis. São assim mesmo. Outros não o são e vale a pena discuti-los. Mas há debates que não vejo muito bem para onde nos podem levar. O que propõem exactamente, para resolver os problemas de disciplina, alguns que aqui deixaram comentários?1. Que o castigo físico volte a ser reintroduzido como forma de ensino?2. Que os alunos complicados sejam proibidos de ir à escola e se acabe com o ensino obrigatório?3. Que se acabe com a Internet e com a televisão?4. Que se esterilizem os pais que não saibam educar os seus filhos?(...)A importância de preparar os professores para lidar com a indisciplina (que passa por saber gerir uma crise, mas também por saber dar aulas) e com adolescentes pareceu-me evidente. Defender a dignidade dos professores é defender os professores, mas não só. É defender a sua qualificação. E quem trabalha com adolescentes em 2008 tem de saber trabalhar com os adolescentes que existem em 2008, com todas as diferenças que há entre eles, e não com o adolescente que devia existir ou que um dia existiu (se é que existiu).
"Daniel Oliveira. Arrastão
Deixemo-nos de hipócrisias.
"Os anjinhos dos bons velhos tempos Fiquei chocadíssimo ao aperceber-me de que, afinal, só a minha turma do liceu é que gozava perdidamente com os professores.Recordo-me do J. e do S. a emitirem um programa radiofónico lá da última fila nas aulas daquele professor de História surdo; da professora de Português estrábica a quem nunca respondia o aluno que interrogava, mas outro sentado no lado oposto da sala; ou da turma toda a uivar quando a professora de Inglês que usava mini-saia se esticava toda, de costas para nós, para escrever no alto do quadro. E fico-me por aqui.Castigue-se quem deve ser castigado, mas poupem-me às prédicas sobre o respeito dos alunos pelos professores nas escolas do antigamente(...)
"João Pinto e Castro. ...bl-g- -x-st
"No meu tempoHá dias recebi um convite dos colegas para participar no 30º aniversário do fim do nosso ano de liceu. Não poderei participar, mas sei quem lá encontraria: senhores e senhoras de meia idade, pais e mães de família, empresários, quadros superiores, médicos, advogados, arquitectos, certamente também alguns "falhados".Frequentei o liceu numa cidade de província, uma escola pública. A escola, sem ser de elite, tinha uma boa reputação. O director era um padre jesuíta, muito respeitado dentro e fora da escola e, por nós, também temido. A maioria dos outros professores também não tinha problemas maiores de disciplina. Mas havia as aulas de educação visual, em que sempre jogámos às cartas, o que a professora fingiu não ver. Tínhamos 14 ou 15 anos. As aulas de latim, dadas pelo Dr. S., de quem me lembro hoje com respeito e carinho: era um senhor perto da idade de reforma, tão delicado que quando nós cruzámo-nos com ele na rua, levantava mesmo para nós adolescentes o chapeu, cumprimento já na altura antiquado. Isso não impediu que, quando nos virava as costas na aula, lhe atirámos com bolinhas de papel.E havia a professora de inglês, Mrs. T., que recentemente tinha enviuvado, o que poderá ter contribuído pela sua incapacidade de impor disciplina nas suas aulas. Lembro-me de uma em especial. Alguém tinha trazido uma bola de futebol para a sala, e a professora teve a triste ideia de tentar confiscá-la. Durante minutos, a bola voava de um para outro, para o gáudio de todos. Continuava a voar ainda algum tempo, mesmo depois de ela ter desistido e ter voltado a debitar a matéria, que nós ignorámos como ela então ignorava a bola.O que distingue o nosso caso de 1974 do da Carolina Michaëlis é que não tínhamos como gravar e colocar o espectáculo no Youtube.
"Lutz Brückelmann. quase em português
Frequentei o ensino público antes do 25 de Abril. Sou professor. Tenho filhos. A escola hoje é muito menos violenta, do que a do meu tempo de aluno, e responde a desafios maiores. Bendita democracia
"(...)Sempre houve indisciplina na escola e nas salas de aula. O tempo que as pessoas fantasiam nas suas cabeças desapareceu há umas décadas. Aceito, no entanto, que hoje seja mais grave. Algumas de muitas razões: famílias demissionárias ou ausentes (as mulheres hoje trabalham e espero que não as queiram de volta para casa), formas de socialização entre adolescentes que os pais e os professores desconhecem e com os quais não sabem lidar, concentração de miúdos problemáticos nas mesmas escolas e turmas, pais e alunos que não respeitam a escola porque não a vêem como uma forma de ascensão social, depreciação da imagem do professor, confusão entre autoritarismo e autoridade (sem a qual a educação - aceitação de que a pessoa que está à nossa frente tem qualquer coisa para nos ensinar - é impossível), uma escola cada vez mais distante da realidade quotidiana vivida pelos adolescentes, a hiper-mediatização de cada episódio que deixa de poder ser gerido dentro da sala de aula e passa a ser debatido por todos (para esta última contribuo eu próprio).Alguns destes factores são inultrapassáveis. São assim mesmo. Outros não o são e vale a pena discuti-los. Mas há debates que não vejo muito bem para onde nos podem levar. O que propõem exactamente, para resolver os problemas de disciplina, alguns que aqui deixaram comentários?1. Que o castigo físico volte a ser reintroduzido como forma de ensino?2. Que os alunos complicados sejam proibidos de ir à escola e se acabe com o ensino obrigatório?3. Que se acabe com a Internet e com a televisão?4. Que se esterilizem os pais que não saibam educar os seus filhos?(...)A importância de preparar os professores para lidar com a indisciplina (que passa por saber gerir uma crise, mas também por saber dar aulas) e com adolescentes pareceu-me evidente. Defender a dignidade dos professores é defender os professores, mas não só. É defender a sua qualificação. E quem trabalha com adolescentes em 2008 tem de saber trabalhar com os adolescentes que existem em 2008, com todas as diferenças que há entre eles, e não com o adolescente que devia existir ou que um dia existiu (se é que existiu).
"Daniel Oliveira. Arrastão
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22/03/2008
DA (des)EDUCAÇÃO
Sem paz e sem guerra, como blogue livre que somos, debatemos livremente as questões sem termos que estar obrigatóriamente de acordo. É deste ponto de partida que não poderia deixar de escrever este post até pelo que tenho defendido em debates noutros blogues. Assim sendo começo por citar o arrastão e concluo no final.
Sim, o que eu vejo aqui é uma aluna mal educada. Uma adolescente incrivelmente insolente. Sempre existiram, sempre existirão. Às vezes até crescem e transformam-se em adultos responsáveis e educados. Outras não.
Basta ver como a professora (a adulta e a profissional que tem de garantir o normal funcionamento das aulas) lida com o problema para perceber que estamos perante alguém sem preparação para cumprir as suas funções. Uma professora não fica dois minutos a disputar um telemóvel com uma adolescente. Não o faz, ponto final. Chama outra pessoa, manda a aluna para a rua, interrompe a aula… Qualquer coisa. Mas não desce ao nível da adolescente. Se o fizer, está frita. Nem é preciso ser profissional para saber isto. E o que vejo neste vídeo é uma professora com uma turma completamente descontrolada a usar métodos só aceitáveis em alguém com a idade da adolescente que tenta controlar.
Ser professor é difícil. Recebem-se na sala de aulas todos as falhas familiares, todas as falhas sociais, todas as falhas do sistema. E no fim, o mais provável é ser-se maltratado por quem falha em casa, por quem falha na sociedade, por quem falha no sistema. Mas é esta a profissão que se escolheu e todas as profissões têm partes difíceis. E nesta profissão, em que se trabalha numa escola em que todos entram e têm de entrar, não se escolhem os alunos. Há, haverá sempre, casos quase impossíveis. São esses os ossos do ofício. Já havia quando eu era aluno. Para uns professores era dramático, para outros era um problema que tentavam resolver com muito talento e esforço. É difícil, mas simples: a disciplina e a autoridade nunca estão garantidos, conquistam-se. Até com os filhos.
O problema deste vídeo é o que mostra e o que quer mostrar. Mostra uma professora impotente. E a sua impotência nada tem de metafísico ou de político. É a impotência que sentirão todos os que, não conseguindo dar-se ao respeito, trabalham com adolescentes. Porque os adolescentes, quase todos e em todos os tempos, medem forças (se não for físico é psicológico) e desafiam a autoridade. E só pode trabalhar com eles quem o sabe fazer. E para o saber tem de se ser preparado. Parece-me que não o são. Apenas se conta com o talento natural e a experiência de cada um.
O que se quer mostrar com a divulgação deste filme? Que já não há o mínimo de disciplina na sala de aulas? É provavel. A escola é hoje mais democrática: todos andam nela. E isso é bom. Mas traz novos problemas.Que a profissão de professor é difícil? Já o era quando eu andava no liceu. Talvez hoje seja mais. O que quer apenas dizer que os professores têm de ser preparados de uma forma diferente.
A única coisa útil neste vídeo: é dar a algumas pessoas a noção de que a função de professor, sendo muito exigente, deve ser valorizada. E que quem a desempenha deve ser respeitado por isso. Mas que esta professora não sirva de exemplo.
Posto isto, para mim a causa principal do infeliz episódio, é evidente que sou obrigado a concordar que este vídeo mostra um pouco os monstrinhos que andamos a criar. Mas em relação a isto parece-me importante dizer que estes monstrinhos andam a ser criados em "nossas" casas perante a total passividade dos pais que para além de viverem mal não olham para os filhos preferindo vegetar em frente à TV. Esta turma é um exemplo claro disso: turma de classe média, bons telemóveis, roupas... total desrespeito e desumanidade. Se o vídeo não tem aparecido será que os pais destes alunos saberiam de alguma coisa? E se soubessem?
Quanto à questão "do valente tabefe"... Pedro relembro-te que tu e eu estudámos na Manuel da Maia ali bem junto ao antigo Casal Ventoso. Assistimos a comportamentos bem mais graves que este, eu assisti, por exemlo, a um colega a agredir uma professora com uma cadeira. E agora se te lembras diz-me quem eram os professores mais respeitados? Os que batiam e tinham confrontos quotidianos ou aqueles que por empatia ou autoritarismo eram temidos por toda a escola sem terem que levantar um dedo?
As ferramentas que dizes não haver eram as mesmas que há hoje e que acho que têm que ser aplicadas neste caso como tão costumadamente víamos serem aplicadas na Manuel da Maia: EXPULSÃO. Tanto para a aluna como para o autor do vídeo em questão (com este exemplo penso que o aluno poderia prestar um bom serviço público).
PSP para proteger a professora deste ataque? Estavas a ser irónico ou acreditas mesmo que é pelo policiamento que vamos lá?
Abração, esperando que não apareçam mais putos estúpidos obrigando-nos a publicar coisas que não queremos.
Sim, o que eu vejo aqui é uma aluna mal educada. Uma adolescente incrivelmente insolente. Sempre existiram, sempre existirão. Às vezes até crescem e transformam-se em adultos responsáveis e educados. Outras não.
Basta ver como a professora (a adulta e a profissional que tem de garantir o normal funcionamento das aulas) lida com o problema para perceber que estamos perante alguém sem preparação para cumprir as suas funções. Uma professora não fica dois minutos a disputar um telemóvel com uma adolescente. Não o faz, ponto final. Chama outra pessoa, manda a aluna para a rua, interrompe a aula… Qualquer coisa. Mas não desce ao nível da adolescente. Se o fizer, está frita. Nem é preciso ser profissional para saber isto. E o que vejo neste vídeo é uma professora com uma turma completamente descontrolada a usar métodos só aceitáveis em alguém com a idade da adolescente que tenta controlar.
Ser professor é difícil. Recebem-se na sala de aulas todos as falhas familiares, todas as falhas sociais, todas as falhas do sistema. E no fim, o mais provável é ser-se maltratado por quem falha em casa, por quem falha na sociedade, por quem falha no sistema. Mas é esta a profissão que se escolheu e todas as profissões têm partes difíceis. E nesta profissão, em que se trabalha numa escola em que todos entram e têm de entrar, não se escolhem os alunos. Há, haverá sempre, casos quase impossíveis. São esses os ossos do ofício. Já havia quando eu era aluno. Para uns professores era dramático, para outros era um problema que tentavam resolver com muito talento e esforço. É difícil, mas simples: a disciplina e a autoridade nunca estão garantidos, conquistam-se. Até com os filhos.
O problema deste vídeo é o que mostra e o que quer mostrar. Mostra uma professora impotente. E a sua impotência nada tem de metafísico ou de político. É a impotência que sentirão todos os que, não conseguindo dar-se ao respeito, trabalham com adolescentes. Porque os adolescentes, quase todos e em todos os tempos, medem forças (se não for físico é psicológico) e desafiam a autoridade. E só pode trabalhar com eles quem o sabe fazer. E para o saber tem de se ser preparado. Parece-me que não o são. Apenas se conta com o talento natural e a experiência de cada um.
O que se quer mostrar com a divulgação deste filme? Que já não há o mínimo de disciplina na sala de aulas? É provavel. A escola é hoje mais democrática: todos andam nela. E isso é bom. Mas traz novos problemas.Que a profissão de professor é difícil? Já o era quando eu andava no liceu. Talvez hoje seja mais. O que quer apenas dizer que os professores têm de ser preparados de uma forma diferente.
A única coisa útil neste vídeo: é dar a algumas pessoas a noção de que a função de professor, sendo muito exigente, deve ser valorizada. E que quem a desempenha deve ser respeitado por isso. Mas que esta professora não sirva de exemplo.
Posto isto, para mim a causa principal do infeliz episódio, é evidente que sou obrigado a concordar que este vídeo mostra um pouco os monstrinhos que andamos a criar. Mas em relação a isto parece-me importante dizer que estes monstrinhos andam a ser criados em "nossas" casas perante a total passividade dos pais que para além de viverem mal não olham para os filhos preferindo vegetar em frente à TV. Esta turma é um exemplo claro disso: turma de classe média, bons telemóveis, roupas... total desrespeito e desumanidade. Se o vídeo não tem aparecido será que os pais destes alunos saberiam de alguma coisa? E se soubessem?
Quanto à questão "do valente tabefe"... Pedro relembro-te que tu e eu estudámos na Manuel da Maia ali bem junto ao antigo Casal Ventoso. Assistimos a comportamentos bem mais graves que este, eu assisti, por exemlo, a um colega a agredir uma professora com uma cadeira. E agora se te lembras diz-me quem eram os professores mais respeitados? Os que batiam e tinham confrontos quotidianos ou aqueles que por empatia ou autoritarismo eram temidos por toda a escola sem terem que levantar um dedo?
As ferramentas que dizes não haver eram as mesmas que há hoje e que acho que têm que ser aplicadas neste caso como tão costumadamente víamos serem aplicadas na Manuel da Maia: EXPULSÃO. Tanto para a aluna como para o autor do vídeo em questão (com este exemplo penso que o aluno poderia prestar um bom serviço público).
PSP para proteger a professora deste ataque? Estavas a ser irónico ou acreditas mesmo que é pelo policiamento que vamos lá?
Abração, esperando que não apareçam mais putos estúpidos obrigando-nos a publicar coisas que não queremos.
Para Bruxelas ver (II)
Custa-me pôr semelhante objecto neste blogue, mas lá terá de ser. É quase pornografia, mas estou-me nas tintas para isso. Quero é que se vejam com olhos de ver os monstrinhos que andamos a criar. Para esta ministra e este governo, talvez interesse mais as estatísticas de bom comportamento e boas notas, para Bruxelas ver, só que é sempre mais fácil quando se está cá fora, não é?
Se a professora desse um valente tabefe bem merecido naquela aventesma adolescente caía a trindade, o céu e a terra. Mas depois de desautorizada eu pergunto, quem a pode proteger, a PSP?
Que ferramentas existem para que situações destas não voltem a acontecer? Temo bem que não existam.
Se a professora desse um valente tabefe bem merecido naquela aventesma adolescente caía a trindade, o céu e a terra. Mas depois de desautorizada eu pergunto, quem a pode proteger, a PSP?
Que ferramentas existem para que situações destas não voltem a acontecer? Temo bem que não existam.
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10/03/2008
Ainda a Manif
Das críticas que tenho lido nos blogues contra a manífestação dos professores vi nascer uma espécie de corporativismo ao contrário. São os "anti-professores", que dos seus laptops sabem mais de ensino do que quem se dá ao trabalho de dar aulas, esses preguiçosos. Os tais cem mil manifestantes que só ali estavam para demover a ministra, eles coitados, meras marionetas dos sindicatos, não sabiam bem ao que iam. Não pensam pela própria cabeça e pior, não querem verdadeiramente ser avaliados.
Dêem lá uma voltinha por uma vintena de blogues e vejam se estou a exagerar.
Dêem lá uma voltinha por uma vintena de blogues e vejam se estou a exagerar.
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07/03/2008
Para Bruxelas ver
Existe um género de esquizofrenia com a questão da educação. Estou agora a ver o "Expresso da Meia Noite" na SIC Noticias e já ouvi Maria de Flor Pedroso e Helena Matos. A cantilena é a mesma que tenho ouvido na blogosfera. Resumo: ninguém sabe do que fala, todos dizem o mesmo, ninguém faz ideia do que está realmente a discutir. É pura demagogia e pura merda (assim mesmo). São os professores e a necessidade de reformas, mas trocado por miúdos tudo o que sei é que agora nunca chumbaria por faltas, podería insultar os professores à vontade para nunca ser devidamente julgado e todas as entidades me fariam um excelente aluno para as médias europeias, chumbando em exames até aprender (provem-me lá o contrário). É que sei de casos até à exaustão, poderei dar inúmeros exemplos, eu e o Nuno temos mãe professora. Ouvi as queixas da minha mãe arrancadas a ferros, juro pela minha vida. Sabem porquê? Quer reformar-se, quer ir-se embora, se calhar está magoada. Não é pelas aulas que sempre adorou dar, é por não querer aturar mais esta gente e perder a sua dignidade. Por todo o esforço e investimento que fez, por ter acreditado numa ideia de educação em que deu tudo o que pode e que sabe. Isto é o que escrevo, vale o que vale. Mas toquemos no nervo: querem que os professores deixem de castigar e avaliar os alunos enquanto são avaliados. É justo que assim seja. Motivo: para Bruxelas ver as nossas belas e grandes notas perante a Europa. Para mostrar nas estatísticas o quanto somos bons. Estarei a mentir?
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10/02/2008
AINDA O ENSINO ARTÍSTICO

É importante não desistir até que o governo ceda...
Mais exemplos nas primeiras páginas do jornal Público de hoje (10/02/2008).
Continuemos até à vitória (a)final...
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08/02/2008
DEFESA DO ENSINO ARTÍSTICO
É inacreditável esta próxima medida do nosso "fabuloso" Ministério da Educação. Não escreverei aqui muito sobre tal medida pois há já quem tenha escrito tão bem e tão melhor estando dois abaixo-assinados em circulação que não puderemos deixar de assinar, pois não nos pode ser permitido deixar que uma Lei destas possa ir avante. Apenas citarei aqui o Maestro Vitorino de Almeida antes de vos remeter para um blogue que tão bem e tão profundamente tem abordado este assunto. Aí estão também os abaixo-assinados para que todos assinem, porque todos ainda somos poucos para tão danosa medida...
"Acabar com a educação de base dada por profissionais e transferi-la para as escolas normais é tão absurdo que me falham as palavras"
"É evidente que faz falta mais educação musical no 1ºciclo. Mas isso nada tem a ver com as crianças que manifestam desde pequenas um talento especial para a música. Para elas a educação musical tem de ser logo profissional. É por isso que estão nos conservatórios. Não é nas escolas normais que aprendem."
"Ninguém quer milhões de músicos, nem eles existem, aliás o problema do país não é encontrar talentos, mas arranjar-lhes trabalho".
Maestro Vitorino de Almeida, in Diário de Notícias 08/02/2008 :
É curioso que Paulo feliciano que trabalha para a reforma do ensino artístico já tenha vindo dizer que tenciona recorrer aos serviços de uma centena de escolas privadas para assegurar aulas de música de qualidade às crianças. ou seja, queres um ensino de qualidade? Sê rico e paga-o. E é assim que o Estado lava as suas imundas mãos...
Por favor, acima de tudo a vós próprios (pois trata-se de um excelente blogue), vão até ao Ideias-Soltas e informem-se, e se estiverem de acordo, assinem as petições.
Um abraço
"Acabar com a educação de base dada por profissionais e transferi-la para as escolas normais é tão absurdo que me falham as palavras"
"É evidente que faz falta mais educação musical no 1ºciclo. Mas isso nada tem a ver com as crianças que manifestam desde pequenas um talento especial para a música. Para elas a educação musical tem de ser logo profissional. É por isso que estão nos conservatórios. Não é nas escolas normais que aprendem."
"Ninguém quer milhões de músicos, nem eles existem, aliás o problema do país não é encontrar talentos, mas arranjar-lhes trabalho".
Maestro Vitorino de Almeida, in Diário de Notícias 08/02/2008 :
É curioso que Paulo feliciano que trabalha para a reforma do ensino artístico já tenha vindo dizer que tenciona recorrer aos serviços de uma centena de escolas privadas para assegurar aulas de música de qualidade às crianças. ou seja, queres um ensino de qualidade? Sê rico e paga-o. E é assim que o Estado lava as suas imundas mãos...
Por favor, acima de tudo a vós próprios (pois trata-se de um excelente blogue), vão até ao Ideias-Soltas e informem-se, e se estiverem de acordo, assinem as petições.
Um abraço
Etiquetas:
Educação,
Ensino artístico
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