Apontamento de uma noite de Abril
Oh, quantas são as cores que vemos,
Azul, amarelo, branco, vermelho e verde!
Oh quantos são os sons que ouvimos,
Soprano, baixo, trompa, oboé.
Oh, quantas são as palavras que dizemos,
Vocábulos, versos, rimas,
A ternura das aliterações
Marchas e danças da sintaxe!
A quem entra nos seus jogos,
A quem prova do seu encanto,
A esse alguém o mundo sorri,
Floresce e abre as portas
Do coração, dos sentidos.
Aquilo de que gostavas, ao que aspiravas,
Com que sonhavas e que vivias,
Ainda tens a certeza
Se foi deleite ou sofrimento?
Sol sustenido e lá bemol,
Mi bemol ou ré sustenido...
Conseguirá o ouvido distingui-los?
(composto entre 6 e 7 de Abril de 1962)
Do livro "Música" de Hermann Hesse
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07/04/2008
05/04/2008
SÓ DE SACANAGEM
Porque infelizmente não é um mal só brasileiro, aqui se dedica, com toda a força de Ana Carolina, este poema aos Jorges Coelhos, Ferreiras do Amaral, Fátimas de Felgueiras, Valentins e todos os demais sacanas que não aguentamos mais...
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Ana Carolina,
Poesia
21/03/2008
22/02/2008
VINICIUS DE MORAES

" Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta
necessidade que tenho deles."
" Eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
Mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
E alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida...
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não.
Declare e não os procure sempre..."
SONETO DE FIDELIDADE
De tudo ao meu amor,
serei atento.
Antes e com tal zelo,e
sempre, e tanto.
Que mesmo em face do
maior encanto.
Dele se encante mais
meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada
vão momento.
E em seu louvor hei de
espalhar meu canto
e rir meu riso e derramar
meu pranto.
Ao seu pesar ou seu
contentamento.
E assim, quando mais tarde
me procure.
Quem sabe a morte,
angústia de quem vive.
Quem sabe a solidão, fim
de quem ama.
Eu possa me dizer do amor
(que tive): que não seja
imortal, posto que é chama.
Mas que seja infinito
enquanto dure.
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Vinícius de Moraes
14/02/2008
POEMA

"Hora a hora,
Nasce outra vez em mim a vida.
Devagar,
Como um gomo de vide a rebentar,
Cobre de verde a cepa ressequida.
É um fruto que acena?
É uma flor que há-de ser?
-Fui eu que disse que valia a pena
Viver!"
14 de Fevereiro de1943, Coimbra
MIGUEL TORGA
(Diário II)
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Poesia
11/02/2008
POEMA

"Já perdoei erros imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquicíveis.
Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei decepcionar-me,
mas também decepcionei alguém.
Já abracei para proteger,
Já me ri quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.
Já gritei e saltei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
-parti a cara muitas vezes-!
Já chorei ouvindo música e vendo fotografias,
já liguei só para ouvir uma voz,
apaixonei-me por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial
(e acabei por perder).
Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida...
E você também não deveria passar!
Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é MUITO para ser insignificante."
Charlie Chaplin
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