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27/02/2008
Live and Let Live? (II)
Não respondi ao que foi escrito a seguir ao meu ultimo comentário. Acho que não merecia resposta. Mas enfim. Eu até tenho (porque já o fui ) mentalidade punk rock. Gosto da leveza, da atitude e da forma como no punk se fazem e dizem as coisas. Ainda mais da espontaneidade. Mas aqui o que pode ser defendido, em relação à atitude daquele casal, é já no ambito da pura estupidez. Em minha opinião, que também vale o que vale, mas enfim, gostava de não voltar a tocar no assunto, e gostava também que não me atacassem gratuitamente como o fizeram em relação à questão dos homossexuais. Isso denota não só insegurança, como também instinto felino de apanhar aqui e ali qualquer coisa. Admito e respeito todas as discordâncias a opiniões minhas, mas sem batotas…
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25/02/2008
Live and let live?
Acerca deste post escrito pelo Nuno, li e deixei passar. Registei apenas a aberração daquela foto. Não gostei. Ponto. Mas depois há aquela tendência para se pensar que "hoje há gente para tudo", ou que "se a estupidez matasse...". Deixa-se andar. Ponto.
Daí ao coro de reacções que li aqui e aqui vai uma distância daqui ao Cairo. Dá-me para perguntar: em que mundo vivem? Se calhar por falta de sentido de humor, esqueci-me de registar a "graça" da coisa. A mesma"graça"- que é mais uma "gracinha" - que se vê na foto do dono e da "Bobby" (perdoem-me o sarcasmo) e também a "originalidade" : das reacções, e da própria foto em si.
Dá que pensar que defendam o "Live and Let Live"! Olha, também eu...
Num tempo de susceptibilidades e censuras várias, inclusivé do politicamente correcto. Numa sociedade que mal se sustém com meras caricaturas censuradas, óperas canceladas, emblemas futebolísticos alterados para o hemisfério sul por causa de uma cruz, ainda acham que devemos deixar passar em claro uma aberração daquelas...Mas enfim, há que saber o que se defende...
Para mim a liberdade é o supremo dos valores. É o valor mais importante na nossa sociedade. Por isso mesmo, deve ser estimada. Inclusive protegida. Só existe liberdade porque existem regras, não é possível de forma alguma separar uma da outra. Acho que não tenho de explicar isto.
Se sou contra todas as burkas e ayatholas deste mundo, sou também contra todas as manifestações exteriores que mostrem a humilhação da mulher. Consentidas ou não. E não vamos entrar por aí, ou então é toda uma nova discussão que não cabe neste texto.
Resumido e para finalizar, que isto já está a ficar muito sério: se querem o chicote, as correntes e passearem-se como cãezinhos na rua, por favor: que o façam lá em vossa casa. É uma questão que pertence ao foro privado de cada um e talvez até à nossa higiene: a mental. Respeitem-na. De resto, devem ser tão livres como qualquer pessoa livre, desta sociedade que se quer e deve ser livre.
Daí ao coro de reacções que li aqui e aqui vai uma distância daqui ao Cairo. Dá-me para perguntar: em que mundo vivem? Se calhar por falta de sentido de humor, esqueci-me de registar a "graça" da coisa. A mesma"graça"- que é mais uma "gracinha" - que se vê na foto do dono e da "Bobby" (perdoem-me o sarcasmo) e também a "originalidade" : das reacções, e da própria foto em si.
Dá que pensar que defendam o "Live and Let Live"! Olha, também eu...
Num tempo de susceptibilidades e censuras várias, inclusivé do politicamente correcto. Numa sociedade que mal se sustém com meras caricaturas censuradas, óperas canceladas, emblemas futebolísticos alterados para o hemisfério sul por causa de uma cruz, ainda acham que devemos deixar passar em claro uma aberração daquelas...Mas enfim, há que saber o que se defende...
Para mim a liberdade é o supremo dos valores. É o valor mais importante na nossa sociedade. Por isso mesmo, deve ser estimada. Inclusive protegida. Só existe liberdade porque existem regras, não é possível de forma alguma separar uma da outra. Acho que não tenho de explicar isto.
Se sou contra todas as burkas e ayatholas deste mundo, sou também contra todas as manifestações exteriores que mostrem a humilhação da mulher. Consentidas ou não. E não vamos entrar por aí, ou então é toda uma nova discussão que não cabe neste texto.
Resumido e para finalizar, que isto já está a ficar muito sério: se querem o chicote, as correntes e passearem-se como cãezinhos na rua, por favor: que o façam lá em vossa casa. É uma questão que pertence ao foro privado de cada um e talvez até à nossa higiene: a mental. Respeitem-na. De resto, devem ser tão livres como qualquer pessoa livre, desta sociedade que se quer e deve ser livre.
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15/02/2008
INDIGNAÇÃO MÁXIMA
Podem crer esta fotografia é verídica e trata-se de um jovem casal de góticos que vivem no norte de Inglaterra. É desta forma que vemos retratada que o casal se passeia pelas ruas, no entanto só se tornaram notícia agora porque quando iam entrar para um autocarro o motorista, e muito bem, proíbiu-lhes a entrada. Então não é que casal aproveita para acusar a transportadora de discriminação e pior que tudo a transportadora será obrigada a fazer um pedido de desculpas por uma questão de tolerância...Tolerância? E se fosse ao contrário: um homem atrelado nesta sociedade machista?
Tolerância? E se fosse um casal muçulmano?
Tolerância? Espreitem o post abaixo, é que curiosamente é no mesmo país...
A estupidazinha diz que é "um animal de estimação que não fere ninguém". Se assim é para quê a trela? Se assim não é vão para o circo, para o jardim zoológico, para o raio que os parta, mas poupem-me!
TOLERÂNCIA? Se a moda pega como vamos distinguir estes animaizinhos idiotas de outros mais ferozes.
É de raiva que escrevo, chamem-me o que quiserem, mas proíbam por lei severa as pessoas de andarem assim na rua. Façam o que quiserem em casa, mas não se cruzem comigo na rua, pois não sou obrigado a assistir a isto.
Esbraçejamos (com razão) contra o uso da burka e depois pedimos desculpa a estes idiotas?
06/02/2008
Das capelinhas
O meu colega de blogue toca aqui em baixo num ponto que considero importante: os ódiozinhos e invejas nos meios. No Cinema, no Teatro, na Literatura, nos Média, na Pintura, a regra são as capelinhas bem marcadas e vigiando-se umas às outras. Sei do que falo, até porque já presenciei umas quantas atoardas de ódio dirigidas a alvos precisos: no Cinema e no Teatro. De outras áreas, sempre vão chegando aos ouvidos descrições de rivalidadezinhas e ambientes de "cortar à faca".Isto num país tão pequeno e periférico não deixa de ser um paradoxo e uma contradição. Pior ainda: é um sério contributo para este atraso de onde precisamos urgentemente de sair.
Eu não sou propriamente adepto de "corporativismos", mas vale a pena ir aqui ao lado a Espanha. Não é preciso muito, viajando de carro (a Andaluzia não é longe...) pelas cidades pequenas e vilas notam-se logo diferenças. Na actividade cultural e no que às pessoas isso traz de vitalidade, de Vida. Se bem que isso também remeta para outras questões: em Espanha o interior está bem vivo, cá pretende-se matá-lo de vez. Em nome do litoral, dos suburbios, do dinheiro fácil...
"Um projecto consistente para a cultura em Portugal"
Acabo agora de rever o abaixo assinado "um projecto consistente para a cultura em Portugal" e constato que já vai em 2803 assinaturas, mostrando que as pessoas não o deixaram de assinar, mesmo após a queda da ministra. O que não deixa de ser uma atitude louvável de quem não desiste de lutar por aquilo em que acredita.
Antes de mais, queria deixar os meus parabéns a Vera Mantero, assinante número um e proponente deste abaixo assinado, que não tenho dúvidas que em muito influiu para a queda da ministra e para uma nova opção para a cultura, com um ministro que terá uma posição muito mais activa e que tem, pelo menos, uma vantagem clara em relação à anterior ministra - é culto.
Gostava agora de fazer uma análise um pouco mais profunda sobre quem assinou a petição. E aqui, a primeira coisa que me salta à vista - e é absolutamente fantástica - é constatar que a maioria dos abaixo-assinados são mulheres e homens que trabalham em àreas que pouco ou nada têm que ver com cultura, o que prova que nem todos(as) andam distraídos(as) e que, por outro lado, as pessoas encontram-se sedentas de cultura neste país cada vez mais amorfo a todos os níveis. Parabéns.
Devido a não ter tão vasto conhecimento do que se passa e de quem são todos os agentes culturais em todas as áreas, vou agora debruçar-me apenas sobre o que constatei em três ramos: Dança, Cinema e Teatro. E o que vi eu?
Uma união fantástica entre as pricipais coreógrafas(os) e dançarinos(as). Vemos no abaixo assinado: Vera Mantero, Miguel Pereira, Tiago Guedes, João Fiadeiro, Olga Roriz, Clara Andermatt, Sofia Neuphart...provavelmente - e peço desde já desculpa - ainda me esqueci de alguém ou não tive espaço para mais...Fabuloso
No cinema a participação não é tão forte. Ainda assim, quem não conhece José Nascimento, João Canijo ou Teresa villaverde? Até Patrícia Vasconcelos faz parte da lista...
E agora o Teatro, que é a minha área. Não posso dizer que não me sinta orgulhoso ao ver o nome de Raúl Solnado, ou do Miguel Seabra (teatro meridional). Como também não posso deixar de constatar que estão lá os nomes de Miguel Abreu, João Grosso, Joana Bárcia, Beatriz Batarda, Ana brandão, João Vidigal (sind. trab.do espectáculo), Álvaro Correia ( Teatro da Comuna), Lucia Sigalho, Ana Tamen, João Garcia Miguel...Não está aqui em causa o que eu pense do trabalho destes colegas, mas do nome que já têm. Ainda assim, se repararem, já citei anteriormente vários nomes de actores e principalmente actrizes da minha geração( geração dos trinta ) e muitos mais tenho e posso citar, até pelo respeito que o seu trabalho me merece. Deste modo e da minha geração tenho ainda os colegas (alguns amigos): Claudio da Silva, Tiago Barbosa, Ana Ribeiro, Paula Diogo, Diogo Bento, André Teodósio, Ricardo Cruz, Miguel Fonseca, Sofia Cabrita, Ana Sofia Paiva...e para concluir, uma menção especial a Martim Pedroso, pelo espectáculo de "merda" que criou como revolta em relação à questão dos intermitentes.
Gostei ainda de ver a assinatura de José Maria Vieira Mendes (dramaturgo).
Como vêm até temos aqui alguns nomes, mas há uma questão que não pára de me intrigar. Onde estão tantas outras assinaturas? E uma lacuna evidente...Não vejo uma assinatura que seja dos grandes dinossauros do teatro que é feito neste país. Sim, esses mesmos, os grandes corajosos de Abril que agora abarcam a maior parte dos subsídios, dando-se muito pouco ou nada ao trabalho de ir ver o que as novas gerações fazem. E muitas vezes para eles novas gerações são pessoas de cinquenta anos ou quase. Isto é duplamente curioso, pois conheço alguns que comentam o que conhecem de outros e acreditem ou não, não havia dinossauro que quisesse a continuidade desta ministra (a não ser talvez o Fragateiro, mas esse...). Porque não assinaram? Estão satisfeitos com a sua situação actual e não querem confusões, não se querem misturar com os que assinaram ou esqueceram os seus principios básicos de lutadores por aquilo que dizem que acreditam? Uma cultura melhor para Portugal.
O facto de não terem assinado remete-me para outra pergunta. Para quando uma associação portuguesa de encenadores? E de actores? Nunca foi possível por pseudo-rivalidades destes dinossauros. Mas por que não avançar agora no sentido de nos tornarmos mais fortes e sem rivalidades fúteis? Quem quiser embarca, quem não quiser que continue navegando sozinho fazendo espectáculos para amigos...jornalistas...e convidados.
Para concluir e baseando-me no facto da maioria dos peticionários terem pouco ou nada a ganhar com as artes (isto a nivel profissional) gostava só de chamar a atenção para o Dr. Vasco Graça Moura, que antes de escrever o que escreveu no Diário de Notícias devia ter lido a petição e quem a assinou. Passo a citar: "O Primeiro Ministro acabou por se revelar sensivel aos protestos de grande parte da subsidiodependência".
Se assim foi ainda bem, pois não estamos aqui pela parte comercial - a não ser que queira um país de La Ferias e Antónios Feios( com todo o respeito ) - mas pela cultura deste país...
Um abraço e juntemo-nos cada vez mais, porque pior do que isto é díficil...
Antes de mais, queria deixar os meus parabéns a Vera Mantero, assinante número um e proponente deste abaixo assinado, que não tenho dúvidas que em muito influiu para a queda da ministra e para uma nova opção para a cultura, com um ministro que terá uma posição muito mais activa e que tem, pelo menos, uma vantagem clara em relação à anterior ministra - é culto.
Gostava agora de fazer uma análise um pouco mais profunda sobre quem assinou a petição. E aqui, a primeira coisa que me salta à vista - e é absolutamente fantástica - é constatar que a maioria dos abaixo-assinados são mulheres e homens que trabalham em àreas que pouco ou nada têm que ver com cultura, o que prova que nem todos(as) andam distraídos(as) e que, por outro lado, as pessoas encontram-se sedentas de cultura neste país cada vez mais amorfo a todos os níveis. Parabéns.
Devido a não ter tão vasto conhecimento do que se passa e de quem são todos os agentes culturais em todas as áreas, vou agora debruçar-me apenas sobre o que constatei em três ramos: Dança, Cinema e Teatro. E o que vi eu?
Uma união fantástica entre as pricipais coreógrafas(os) e dançarinos(as). Vemos no abaixo assinado: Vera Mantero, Miguel Pereira, Tiago Guedes, João Fiadeiro, Olga Roriz, Clara Andermatt, Sofia Neuphart...provavelmente - e peço desde já desculpa - ainda me esqueci de alguém ou não tive espaço para mais...Fabuloso
No cinema a participação não é tão forte. Ainda assim, quem não conhece José Nascimento, João Canijo ou Teresa villaverde? Até Patrícia Vasconcelos faz parte da lista...
E agora o Teatro, que é a minha área. Não posso dizer que não me sinta orgulhoso ao ver o nome de Raúl Solnado, ou do Miguel Seabra (teatro meridional). Como também não posso deixar de constatar que estão lá os nomes de Miguel Abreu, João Grosso, Joana Bárcia, Beatriz Batarda, Ana brandão, João Vidigal (sind. trab.do espectáculo), Álvaro Correia ( Teatro da Comuna), Lucia Sigalho, Ana Tamen, João Garcia Miguel...Não está aqui em causa o que eu pense do trabalho destes colegas, mas do nome que já têm. Ainda assim, se repararem, já citei anteriormente vários nomes de actores e principalmente actrizes da minha geração( geração dos trinta ) e muitos mais tenho e posso citar, até pelo respeito que o seu trabalho me merece. Deste modo e da minha geração tenho ainda os colegas (alguns amigos): Claudio da Silva, Tiago Barbosa, Ana Ribeiro, Paula Diogo, Diogo Bento, André Teodósio, Ricardo Cruz, Miguel Fonseca, Sofia Cabrita, Ana Sofia Paiva...e para concluir, uma menção especial a Martim Pedroso, pelo espectáculo de "merda" que criou como revolta em relação à questão dos intermitentes.
Gostei ainda de ver a assinatura de José Maria Vieira Mendes (dramaturgo).
Como vêm até temos aqui alguns nomes, mas há uma questão que não pára de me intrigar. Onde estão tantas outras assinaturas? E uma lacuna evidente...Não vejo uma assinatura que seja dos grandes dinossauros do teatro que é feito neste país. Sim, esses mesmos, os grandes corajosos de Abril que agora abarcam a maior parte dos subsídios, dando-se muito pouco ou nada ao trabalho de ir ver o que as novas gerações fazem. E muitas vezes para eles novas gerações são pessoas de cinquenta anos ou quase. Isto é duplamente curioso, pois conheço alguns que comentam o que conhecem de outros e acreditem ou não, não havia dinossauro que quisesse a continuidade desta ministra (a não ser talvez o Fragateiro, mas esse...). Porque não assinaram? Estão satisfeitos com a sua situação actual e não querem confusões, não se querem misturar com os que assinaram ou esqueceram os seus principios básicos de lutadores por aquilo que dizem que acreditam? Uma cultura melhor para Portugal.
O facto de não terem assinado remete-me para outra pergunta. Para quando uma associação portuguesa de encenadores? E de actores? Nunca foi possível por pseudo-rivalidades destes dinossauros. Mas por que não avançar agora no sentido de nos tornarmos mais fortes e sem rivalidades fúteis? Quem quiser embarca, quem não quiser que continue navegando sozinho fazendo espectáculos para amigos...jornalistas...e convidados.
Para concluir e baseando-me no facto da maioria dos peticionários terem pouco ou nada a ganhar com as artes (isto a nivel profissional) gostava só de chamar a atenção para o Dr. Vasco Graça Moura, que antes de escrever o que escreveu no Diário de Notícias devia ter lido a petição e quem a assinou. Passo a citar: "O Primeiro Ministro acabou por se revelar sensivel aos protestos de grande parte da subsidiodependência".
Se assim foi ainda bem, pois não estamos aqui pela parte comercial - a não ser que queira um país de La Ferias e Antónios Feios( com todo o respeito ) - mas pela cultura deste país...
Um abraço e juntemo-nos cada vez mais, porque pior do que isto é díficil...
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04/02/2008
Sublinhado
Vivemos um terrorismo sanitário, sabiamente inspirado pela indústria farmacêutica, que nos bombardeia diariamente com ameaças sobre a nossa saúde e a 'oferecer' os correspondentes remédios contra o tabaco, o colesterol, a tensão alta, a obesidade, os efeitos nocivos do sol. E, enquanto nos vão ocupando e distraindo com esses males iminentes, sem que nós demos por isso, os mesmos políticos obcecados em proteger a nossa saúde contra nós próprios, vão deixando que a indústria polua o ar e os rios, que os campos sejam abandonados e as cidades se tornem invivíveis e que grande parte do nosso dinheiro seja gasto em tratamentos de saúde inúteis e remédios de que não precisamos.(...)
Uma geração que transforma a saúde de cada um na questão principal e obsessiva do dia-a-dia é uma geração sem causas e profundamente egoísta.
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Miguel Sousa Tavares,
Sociedade
02/02/2008
Cada vez mais analfabetos...
Um destes dias a ver o absolutamente soberbo "The Assassination of Jesse James by The Coward Robert Ford" e totalmente absorto por toda aquela cadência hipnótica de acção, começo a ouvir atrás de mim um barulhinho de converseta de telemóvel. A sala meio vazia, eu na quarta fila, o som no tom certo, um ecrã imenso à minha frente, tudo a parecer rolar na perfeição para no momento culminante do assassínio de Jesse James surgir um estafermo qualquer a desatar a falar ao telemóvel. Impassível perante todos os protestos. Mantendo calmamente a sua conversa acesa. Como se nada fosse. Vale a pena dizer que não voltei a ver o filme da mesma forma. Que muita da magia acabou ali mesmo. Que a idiotia exterior desta gente atrasada entrou de vez na engrenagem do (meu) filme, danificando-o irremediavelmente.
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