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10/04/2008

Palco Oriental


Petição pela sobrevivência do Palco Oriental

A Associação Cultural Palco Oriental, entidade artística sem fins lucrativos não pode, nem deve, depender de um esforço particular mas sim de um esforço colectivo, daí a necessidade de TODOS lutarmos pelo preservação da mesma. O acórdão do STJ, decidiu atribuir o edifício onde está sedeada a Associação Cultural Palco Oriental à Igreja de S. Bartolomeu do Beato.

Desde 16 de Abril de 2001, que o processo movido contra a Associação Cultural Palco Oriental se encontrava nos tribunais.

O Tribunal de 1ª Instância deu razão à Associação Cultural Palco Oriental ao atribuir o edifício, a Relação sentenciou que a "coisa" não estava ganha, e o Supremo, de forma justiceira acabou com um projecto cultural e artístico que resistia desde há mais de duas décadas.

A Igreja recebe de bandeja um edifício onde nunca esteve nem aplicou um cêntimo.

A Associação Cultural Palco Oriental custeou obras, de largas dezenas de milhares de euros.

O edifício é doado à Igreja em 1999. O seu doador foi a Associação de Serviço Social, que abandonou as instalações, logo após o 25 de Abril de 1974.

A esta Associação de Serviço Social, não se lhe conhece qualquer actividade realizada após a revolução, nem nunca nos contactou a reivindicar a devolução do imóvel.

Dezenas de pessoas são assim privadas de dar continuidade aos seus projectos artísticos e à livre expressão das suas vontades e ideais.

Dezenas de pessoas que militantemente se dedicaram e investiram humana e materialmente durante tantos anos neste espaço para dotar culturalmente as populações da Zona Oriental de Lisboa, são assim despejadas.

Desde sempre que este foi um espaço de acolhimento para centenas de artistas, das mais variadas formas de expressão: do teatro, da música, da dança, das artes plásticas, do áudio visual, e da simples partilha de experiências de vida.

A Formação dos Recursos Humanos é essencial para o desenvolvimento da Associação e dos Agentes Culturais que com ela colaboram, a aposta nesta área reflecte o interesse em possuir técnicos mais qualificados e melhor preparados para responder às exigências que as novas técnicas de expressão artística e da transversalidade entre elas nos trazem.

De acordo com o estudo "A Economia da Cultura na Europa" (KEA, 2006) na União Europeia, o sector da Cultura contribui mais para a economia dos Vinte e Cinco do que outros sectores considerados muito relevantes para a economia da União. Em Portugal, o sector da Cultura é o terceiro principal contribuinte para o PIB.

O relatório da conferência UNESCO "The International Creative Sector" de 2003, afirma que "as novas técnicas de pesquisa dos estudos de urbanismo, têm ajudado as comunidades a reconhecer as suas estruturas e actividades culturais como uma importante mais valia".

À semelhança do que está a acontecer em muitos países europeus, as cidadãs e os cidadãos abaixo-assinados vêm, nos termos constitucionais e legais, propor à Assembleia da República que tome com urgência medidas legislativas e políticas para:

Que as instalações continuem ao serviço cultural e artístico da Zona Oriental de Lisboa;
Que o património seja transferido para a Associação Cultural Palco Oriental

04/04/2008

IMPUNIDADE

Aqui divulgo um e-mail que gostava de nunca ter recebido.
Não me espanta a atitude da companhia, que agora ainda gosto menos ou desgosto mais, mas o que realmente me choca é este tipo de situação só ser possível num país onde os profissionais das Artes do Espectáculo não tem estatuto profissional o que, apesar de todas as chamadas de atenção, petições e afins, mantém indiferentes todos os governos sem que este seja excepção.
Vamos Dr. Pinto Ribeiro explique-nos isto.


"Companhia Teatral do Chiado despede injustamente e de forma escandalosa o elenco de 'A Bíblia: Toda a Palavra de Deus (Sintetizada)'

Vimos por este meio, informar/denunciar a situação levada a cabo pela Companhia Teatral do Chiado em relação aos actores João Craveiro, Paulo Duarte Ribeiro e Tobias Monteiro.

Estes três actores participavam em duas peças da dita Companhia: 'A Bíblia: Toda a Palavra de Deus (Sintetizada)', em cena desde Setembro de 2007, e dois deles em ' As Vampiras Lésbicas de Sodoma', em cena desde Abril de 2006. Ambas sempre esgotadas e com bastante êxito, como é do conhecimento público.
Estes três actores trabalhavam com recibos verdes e sem contrato, apenas com profissionalismo e boa fé das duas partes, como já é normal no meio artístico e preferencialmente no meio teatral português. Importa salientar que, com a promessa de que depois da estreia da peça 'A Bíblia'os actores seriam pagos com um salário compatível com a sua função, os mesmos aceitaram fazer os ensaios por um preço simbólico.
O prometido acerto salarial só foi cumprido dois meses depois da estreia (no mês de Novembro ). Mesmo assim os actores continuaram a exercer a sua função. Para além disso, foi acordado com a Companhia e com os actores, o pagamento das digressões à parte, como é procedimento normal na maior parte das Companhias de Teatro Profissionais em Portugal . No entanto e num revés repentino a Companhia Teatral do Chiado informou os actores de que não era politica da mesma o pagamento extra por digressões. Sendo os actores convidados e não tendo qualquer contrato com a companhia insistiram no pagamento das mesmas , após uma proposta embaraçosa de remuneração e de novas negociações foi acordado, mais uma vez , um valor simbólico .
Apesar de serem parte importante e fundamental dos espectáculos, os actores descobriram recentemente que o director desta Companhia, Juvenal Garcês, se encontrava a ensaiar outros três actores, em segredo e à revelia dos primeiros, com o intuito de os substituir. Tudo isto feito em sigilo e apoiado pelo resto dos membros da Companhia bem como pelos três actores substitutos.
Importa referir que a peça 'A Bíblia: Toda a Palavra de Deus (Sintetizada)', tem adaptação, dramaturgia, música, letras e coreografia originais dos três actores que, mesmo sem serem remunerados por esse trabalho, continuaram sempre, com empenho e profissionalismo, a executar as tarefas com as quais se comprometeram.
Ao descobrirem a situação, os três actores decidiram fazer valer os seus direitos e cancelaram a cedência de utilização da adaptação e dramaturgia, obrigando a Companhia Teatral do Chiado a negociar uma nova cedência.

Como retaliação a Companhia despediu os actores/co-autores por e-mail recusando-se o próprio director a reunir-se com os mesmos.

Esta informação serve para alertar e tornar pública uma situação de injustiça laboral e de total desrespeito por estes profissionais de Teatro. Esperamos que também sirva para esclarecer e mostrar como vai a impunidade no Teatro em Portugal.
Agradecemos que esta notícia seja tida em conta nos meios de comunicação social e como tal divulgada!

P'los actores,
João Craveiro, Paulo Duarte Ribeiro e Tobias Monteiro."


A quem queira mostrar a sua indignação por este comportamento escandaloso aqui deixo uma morada: info@companhiateatraldochiado.pt
e uma PETIÇÃO tão importante para o fim destas situações.

Um abraço

28/03/2008

TEATRO

Este ano a mensagem do “Dia Mundial do Teatro” foi escrita, em Portugal, pelo actor e encenador João Mota, do grupo de teatro “A Comuna”.
Nas suas palavras “o teatro constitui um factor de unificação dos seres humanos e o homem pode, através dele, encher o mundo de amizade e abrir horizontes de diálogo entre os povos, sem distinção de raça, cor ou crença”.



" O Teatro é um grande meio de civilização, mas não prospera onde não a há!"
Almeida Garret

27/03/2008

TEATRO

Mensagem Internacional do encenador canadiano Robert Lepage.

Existem muitas hipóteses para explicar as origens do teatro, mas a que mais me entusiasma tem a forma de uma fábula:Uma noite, em tempos imemoriais, um grupo de homens reuniu-se numa pedreira para se aquecer à volta de uma fogueira e contar histórias. De súbito, um deles teve a ideia de se levantar e utilizar a sua sombra para ilustrar a sua história. Utilizando a ajuda da luz das chamas, fez surgir nas paredes da pedreira personagens maiores do que a realidade. Os outros, maravilhados, reconheceram sucessivamente o forte e o fraco, o opressor e o oprimido, o deus e o mortal.
Nos dias de hoje, a luz dos projectores substituiu o fogo da alegria inicial e a maquinaria de cena, as paredes da pedreira. E com o devido respeito por certos puristas, esta fábula recorda-nos que a tecnologia esteve nas origens do teatro e que não deve ser entendida como ameaça, mas como elemento aglutinador.A sobrevivência da arte teatral depende da sua capacidade de se reinventar, integrando novas ferramentas e novas linguagens. Pois, como poderia continuar a ser testemunha dos grandes temas do seu tempo e promover o entendimento entre os povos se não desse, ela própria, provas de abertura? Como poderia gabar-se de oferecer soluções para os problemas da intolerância, exclusão e racismo se, na sua própria prática, recusasse toda a mestiçagem e toda a integração?Para representar o mundo na sua complexidade, o artista deve propor formas e ideias novas e confiar na inteligência do espectador capaz de, por si, distinguir a silhueta da humanidade neste perpétuo jogo de sombra e luz.

É verdade que, por muito ter brincado com o fogo, o homem corre o risco de se queimar, mas ganha também a hipóteses de espantar e iluminar.


Robert Lepage (encenador)

Mensagem para o dia 27/03/2008

DIA MUNDIAL DO TEATRO

Cá estamos a comemorar mais um dia mundial do Teatro e, mais uma vez, sem motivos de maior para festejar. O Estado está cada vez mais ausente a todos os níveis: formação de públicos, apoios às estruturas, educação artística, infra-estruturas, etc, etc, etc... Estamos cada vez mais na 3ª ou 4ª divisão da Europa enquanto o poder assobia para o lado passando a bola às autarquias (como diz o ministro fazer mais com menos... ?) que para além de nada ligarem a acontecimentos culturais nada sabem ou percebem do fenómeno teatral e que, para além do mais têm sempre a desculpa de estarem atuladas em dívidas, o que não é mentira. Há ainda o mecenato, mas a este apenas interessa o teatro comercial, pois os benefícios do mecenato não são assim tantos e os processos são complexos.
Para além de tudo isto ou por tudo isto temos uma população cada vez mais inculta e, por impossível que pareça a tendência é para a situação se agravar...
Quem compõe hoje os Media é exactamente esta população de analfabetos que, retirou a crítica teatral da imprensa, e chegou ao cúmulo hoje de se ter esquecido deste dia. Público, Diário de Notícias, SIC, TVI e tantos outros nada dizem neste dia. E a RTP, qual serviço público de televisão, transmite logo à noite, em directo, um espectáculo de teatro comercial de valor muitíssimo duvidoso que mais não fará que deixar as pessoas em casa achando que estão no teatro (Teatro é no Teatro) para amanhã poderem comentar como vai o teatro em Portugal. Mas não é de todo mau que as pessoas hoje não vão ao teatro, mas ao menos aproveitem esse tempo para reflectir seriamente na razão que as leva a não ir ao Teatro o resto do ano. Mas que seja uma reflexão séria, pois a desculpa dos preços já não existe: hoje ir ao Teatro é, na maioria dos casos mais barato que ir ao cinema.
E quanto àquela imensa gente que vai ao teatro hoje, mas só hoje porque é o dia do teatro peço que reflitam também... É que isto não é o Natal ou o dia dos namorados...

Quanto a mim vou parar de me lamentar da escuridão acendendo uma vela e vou logo à noite ao Teatro aqui no Festival de Braga onde ontem já me apresentei.

Bons espectáculos todo o ano... Até porque para sabermos o que é bom, de vez em quando temos que escorregar num mau.

Abram as cortinas e acendam-se as luzes e verão que a escuridão é para os medíocres.

Um abraço!

03/03/2008

BEATRIZ BATARDA





Eis alguns excertos da entrevista que esta fantástica actriz de 33 anos concedeu esta semana ao Expresso:



" A profissão que escolhi implica uma responsabilidade cívica, social e moral." (...)
" O actor (...) tem sobretudo que partilhar. Partilhar o conhecimento que vai procurar em cada dia e em cada ensaio para oferecer ao público."
" Por um lado, há o desejo de ter um ´star system`, ou seja, a necessidade de que haja pessoas que nos façam fantasiar, que idolatremos, que levem a nossa imaginação para um nível quase de conto e nos tirem do nosso rame-rame. Por outro, existe o desprezo total pela profissão de quem lhes permite tudo o resto. O estatuto de intermitente não é devidamente consagrado na lei que rege os nossos contratos de trabalho, continuamos sem regime especial de segurança social... Mas estas questões já não interessam, ninguém quer saber delas."
" Ouvimos dizer à boca cheia que somos subsidiodependentes, mas ninguém sequer sabe quais são os valores implicados nos subsídios. É bom que o Estado explique que a sua comparticipação é rídicula e não cobre nunca mais de um terço ou de um quarto do custo real de cada projecto"
" Entretenimento e cultura não são a mesma coisa" (... ) " A existência do Teatro não comercial corresponde ao desenvolvimento do pensamento artístico. É o que nos permite ser actores no verdadeiro sentido da palavra, e ser actor não é essa viagem ao ego que o tal star system quer fazer passar!"
" Eu quando vou ao Teatro e ao cinema quero ir para casa diferente, quero que aconteça ali qualquer coisa, nem que seja por um segundo, que me mude a mim, uma magia, um som, uma imagem... Para eu ir para casa mais rica"
" O Teatro é uma experiência, é vida, é calor humano e principalmente conhecimentos. O cinema é uma forma um bocadinho mais fria dessa experiência, mas mais depurada e muito mais intensa."
" Prefiro o enriquecimento pessoal, o crescimento profissional e a consequente melhoria da qualidade final do produto artístico-cultural, em detrimento da remuneração. Não há cachê que pague a disponibilidade de um actor, o seu esforço permanente, e o facto de viver sempre com a corda esticada física, mental e financeiramente."
" Não quero cultivar o facilitismo. Recuso-me admitir que tenha que trabalhar obras que só permitem o primeiro nível de leitura para que o meu trabalho seja entendido e aceite pelo publico."


Que grande Actriz e que grande mulher... Que assim continue, pois é cada vez mais raro ver alguém falar tão à vontade... Sem medos nem rodeios!

17/02/2008

RESPEITO PELOS PROFISSIONAIS DAS ARTES DO ESPECTÁCULO


Actores, bailarinos, músicos, realizadores, encenadores, técnicos e todos quantos trabalham nas artes do espectáculo são confrontados com condições de trabalho cada vez mais precárias, situação que se irá agravar se a proposta de lei nº132x aprovada pela maioria PS na Assembleia da República for promulgada pelo Presidente da República.
Deste modo, peço a quem concorde que assine esta PETIÇÃO que será entregue ao Presidente.
Obrigado e um abraço

13/02/2008

OBSCENA


Serve o presente post para dar os parabéns a esta revista que está agora a comemorar um ano. Sem pretensões de maior a OBSCENA é uma lufada de ar fresco na edição sobre as artes performativas, pois trata-se de uma revista que aborda o que se faz por cá como por qualquer parte do mundo, que aborda o que se vai fazendo quer pelos mais velhos e experientes como pelos mais novos e inexperientes, e que , acima de tudo, trata qualquer das artes perfomativas com o mesmo profissionalismo e importância. Tem ainda a capacidade de nos pôr a reflectir (por vezes até sobre questões que nunca nos tínhamos colocado), sem mais nenhum objectivo que não esse: a reflexão. É também uma revista que se lê apaixonadamente de uma ponta à outra pois não há temas desinteressantes, e ainda nos seduz com um grafismo fabuloso e sempre imprevísivel e com fotografias absolutamente notáveis...

Devido à falta de leitores que poderia haver (o que é natural num país culturalmente tão pobre) a OBSCENA optou por editar apenas on-line. Houve contudo duas excepções a edição de Junho/Julho do ano passado, aquando do Festival de Almada, e esta edição de Fevereiro, comemorativa do primeiro aniversário, que encontramos editadas em papel e com custo zero para o leitor. Que mais podíamos desejar?

Quanto às edições anteriores poderia escrever muitíssimo tantos os artigos que me agradaram, mas vou sublinhar apenas alguns que me são/foram mais caros.

Em Fevereiro de 2007 sai o primeiro número e em relação a este gostava de destacar a entrevista à coreógrafa alemã Helena Waldmann que deu um workshop em Teerão sendo a primeira ocidental a fazê-lo. Ainda na mesma reportagem destaco: "um breve olhar sobre o teatro iraniano". Destaque ainda para o ensaio de Ralina Stefanova: " pode a crítica teatral ser pós-dramática?"

De Março: MANUEL JOÃO GOMES-Profissão: Crítico. E a imensa reportagem sobre as artes performativas em Nova Iorque hoje...

Em Abril conhecer Eric Bentley e ler a homenagem a João Mota.

Em Maio entrevista a Jorge Ramos que fala sobre o ensino artístico em Portugal e não perder a entrevista com Pina Bausch.

Junho/Julho podemos folheá-la e lá encontramos tudo sobre o maior festival de teatro que por cá é feito (o Festival de Almada), não perder aqui a entrevista com Bernard Sobel. Neste número temos ainda uma grande reportagem sobre o festival de Avignon "o mais importante encontro internacional de Teatro do velho continente".

Em Outubro o dossier Europa em que destaco: De que falamos quando falamos de cultura europeia. E a não perder: A crítica dramática face à encenação de Patrice Pavis.

De Novembro a entrevista a Rodrigo Garcia "quero descansar mas não consigo". Em seguida atravessamos vários países para tentar perceber de que é feita a identidade cultural europeia. E temos ainda em perspectiva os 50 anos da fundação Gulbenkian.

Dezembro/Janeiro- A CULTURA NÃO SE MOSTRA, PROVA-SE? A não perder a Sida e as suas metáforas, a conversa entre Alain Buffard, Claudia Triozzi e Vera Mantero, e o dossier Europa 3.

Quanto a este ultimo número que posso folhear não destaco nada porque ainda não li tudo, mas citarei partes do editorial de Tiago Bartolomeu Costa (o mentor e director desta revista):


ANO 1

"Há um ano prometemos contribuir para a revitalização do debate, da reflexão exigente, da indispensável intervenção pública(...)enquanto fórum participado, em vez de observatório isolado, combinando crítica, opinião, reportagem, análise, ensaio, fotografia, actualidade e entrevista num conjunto de textos e imagens que possa abrir uma janela para o ar do tempo que se respira"(...)"Passam por estas páginas autores da mais diversa índole, experiência ou opinião, num constante processo de exposição de um discurso assinado, liberto de correntes ou modismos."(...)"Gostamos de pensar que a OBSCENA se regenera, reinventa e evolui de número para número. Quando perguntam se é díficil, preferimos dizer: já está feito!"(...)"Sem regras, agendas, imposições ou calendários. Acreditamos que é esta liberdade editorial que tem conquistado quem nos lê. É por tudo isto que continuamos."


Assim continuem que eu estou conquistado...


Todos os números em OBSCENA

10/02/2008

Com muita AL-Ma


A trabalhar no algarve, onde estou neste momento com a A.C.T.A. (A Companhia de Teatro do Algarve), é para mim, e concerteza, para os algarvios uma grande tristeza ver o deserto cultural que é, ou em que se encontra esta região. Não falo aqui do imenso e meritório trabalho da A.C.T.A. , mas permitam-me que sobre este não me debruce, pois não gosto de ser juiz de causa própria. Por outro lado uma companhia teatral nunca pode ser suficiente para toda uma região. É preciso mais, em qualidade e quantidade, só assim se pode crescer cada vez mais, através da competitividade saudável,bem como de um público cada vez mais preparado e habilitado.
Neste momento são duas as companhias profissionais em toda a região, o que não deixa de ser um avanço tendo em conta que há apenas onze anos não existia nenhuma estrutura profissional de teatro em toda a região.
Há ainda a orquestra do Algarve, umas quantas galerias de Arte e um grande e meritório esforço de alguns grupos de teatro amadores que resistem, mas como é evidente não podem suprimir nem em qualidade nem em quantidade as carências culturais da Região.
Há também salas de Teatro que de vez em quando apresentam espectáculos de companhias de outras partes do país, sendo que a maioria se apresenta aqui em Faro (no Teatro Lethes ou no mais recente Teatro das Figuras).
E para concluir umas poucas salas de cinema (a maioria em Faro)sendo quase todas Lusomundo...

De certeza que do aqui exposto deve haver algumas lacunas, pois só estou aqui a viver há um mês e meio, mas no plano geral não estarei muito longe da realidade. Sendo que em relação ao teatro sei o que digo.
Daí escrever este post, pois foi com grande agrado que fiquei a saber que começou na Quinta-feira em Tavira mais um Festival de teatro organizado pelo outro grupo profissional aqui do Algarve. Um grupo com sede em Tavira que tem feito um grande e meritório esforço para que o Algarve cresça culturalmente. Trata-se da companhia AL-MaSRAH TEATRO que organiza mais um festival "teatro no inverno"...
A programação está no seu site.

Bons espectáculos, filmes, oficinas e melhores conversas...

06/02/2008

"Um projecto consistente para a cultura em Portugal"

Acabo agora de rever o abaixo assinado "um projecto consistente para a cultura em Portugal" e constato que já vai em 2803 assinaturas, mostrando que as pessoas não o deixaram de assinar, mesmo após a queda da ministra. O que não deixa de ser uma atitude louvável de quem não desiste de lutar por aquilo em que acredita.

Antes de mais, queria deixar os meus parabéns a Vera Mantero, assinante número um e proponente deste abaixo assinado, que não tenho dúvidas que em muito influiu para a queda da ministra e para uma nova opção para a cultura, com um ministro que terá uma posição muito mais activa e que tem, pelo menos, uma vantagem clara em relação à anterior ministra - é culto.

Gostava agora de fazer uma análise um pouco mais profunda sobre quem assinou a petição. E aqui, a primeira coisa que me salta à vista - e é absolutamente fantástica - é constatar que a maioria dos abaixo-assinados são mulheres e homens que trabalham em àreas que pouco ou nada têm que ver com cultura, o que prova que nem todos(as) andam distraídos(as) e que, por outro lado, as pessoas encontram-se sedentas de cultura neste país cada vez mais amorfo a todos os níveis. Parabéns.

Devido a não ter tão vasto conhecimento do que se passa e de quem são todos os agentes culturais em todas as áreas, vou agora debruçar-me apenas sobre o que constatei em três ramos: Dança, Cinema e Teatro. E o que vi eu?

Uma união fantástica entre as pricipais coreógrafas(os) e dançarinos(as). Vemos no abaixo assinado: Vera Mantero, Miguel Pereira, Tiago Guedes, João Fiadeiro, Olga Roriz, Clara Andermatt, Sofia Neuphart...provavelmente - e peço desde já desculpa - ainda me esqueci de alguém ou não tive espaço para mais...Fabuloso

No cinema a participação não é tão forte. Ainda assim, quem não conhece José Nascimento, João Canijo ou Teresa villaverde? Até Patrícia Vasconcelos faz parte da lista...

E agora o Teatro, que é a minha área. Não posso dizer que não me sinta orgulhoso ao ver o nome de Raúl Solnado, ou do Miguel Seabra (teatro meridional). Como também não posso deixar de constatar que estão lá os nomes de Miguel Abreu, João Grosso, Joana Bárcia, Beatriz Batarda, Ana brandão, João Vidigal (sind. trab.do espectáculo), Álvaro Correia ( Teatro da Comuna), Lucia Sigalho, Ana Tamen, João Garcia Miguel...Não está aqui em causa o que eu pense do trabalho destes colegas, mas do nome que já têm. Ainda assim, se repararem, já citei anteriormente vários nomes de actores e principalmente actrizes da minha geração( geração dos trinta ) e muitos mais tenho e posso citar, até pelo respeito que o seu trabalho me merece. Deste modo e da minha geração tenho ainda os colegas (alguns amigos): Claudio da Silva, Tiago Barbosa, Ana Ribeiro, Paula Diogo, Diogo Bento, André Teodósio, Ricardo Cruz, Miguel Fonseca, Sofia Cabrita, Ana Sofia Paiva...e para concluir, uma menção especial a Martim Pedroso, pelo espectáculo de "merda" que criou como revolta em relação à questão dos intermitentes.

Gostei ainda de ver a assinatura de José Maria Vieira Mendes (dramaturgo).

Como vêm até temos aqui alguns nomes, mas há uma questão que não pára de me intrigar. Onde estão tantas outras assinaturas? E uma lacuna evidente...Não vejo uma assinatura que seja dos grandes dinossauros do teatro que é feito neste país. Sim, esses mesmos, os grandes corajosos de Abril que agora abarcam a maior parte dos subsídios, dando-se muito pouco ou nada ao trabalho de ir ver o que as novas gerações fazem. E muitas vezes para eles novas gerações são pessoas de cinquenta anos ou quase. Isto é duplamente curioso, pois conheço alguns que comentam o que conhecem de outros e acreditem ou não, não havia dinossauro que quisesse a continuidade desta ministra (a não ser talvez o Fragateiro, mas esse...). Porque não assinaram? Estão satisfeitos com a sua situação actual e não querem confusões, não se querem misturar com os que assinaram ou esqueceram os seus principios básicos de lutadores por aquilo que dizem que acreditam? Uma cultura melhor para Portugal.

O facto de não terem assinado remete-me para outra pergunta. Para quando uma associação portuguesa de encenadores? E de actores? Nunca foi possível por pseudo-rivalidades destes dinossauros. Mas por que não avançar agora no sentido de nos tornarmos mais fortes e sem rivalidades fúteis? Quem quiser embarca, quem não quiser que continue navegando sozinho fazendo espectáculos para amigos...jornalistas...e convidados.

Para concluir e baseando-me no facto da maioria dos peticionários terem pouco ou nada a ganhar com as artes (isto a nivel profissional) gostava só de chamar a atenção para o Dr. Vasco Graça Moura, que antes de escrever o que escreveu no Diário de Notícias devia ter lido a petição e quem a assinou. Passo a citar: "O Primeiro Ministro acabou por se revelar sensivel aos protestos de grande parte da subsidiodependência".
Se assim foi ainda bem, pois não estamos aqui pela parte comercial - a não ser que queira um país de La Ferias e Antónios Feios( com todo o respeito ) - mas pela cultura deste país...

Um abraço e juntemo-nos cada vez mais, porque pior do que isto é díficil...

02/02/2008

Sábado à tarde


É sempre um prazer visitar o Teatro da Comuna, seja para assistir aos seus espectáculos, seja apenas para estar ali com aquela magnífica família de actores, técnicos, encenadores, produtores, cozinheiras...Amigos e amigas verdadeiras que partilham deste mesmo gosto pelo Teatro e de que falam como se ontem tivessem começado esta aventura de já, se não, praticamente 35 anos.
Entre toda esta gente estão muitas pessoas desde o primeiro dia, obrigando-me a destacar o grande mestre João Mota e o grande actor Carlos Paulo( que mantém o seu brilhante"desassossego" )sem desprimor para os restantes membros que desde a primeira hora deram e dão a cara e tudo o mais que tenham por este projecto. Mas quero também e acima de tudo falar da juventude que está sempre a visitar e a trabalhar com a Comuna, havendo ali realmente um espaço raro de comunhão entre as diferentes gerações e um espírito de família que nunca encontrei igual...

E tudo isto, porque chego a casa a um Sábado à tarde satisfeito após mais uma visita a este meu abrigo teatral onde fui assistir ao espectáculo infantil "A afilhada de Santo António" de António Torrado com encenação do João Mota e uma brilhante interpretação do Santo António pelo actor Jorge Andrade...
Não serve o presente texto para falar sobre este ou outro qualquer espectáculo, mas sim para mandar mais uma vez um grande bem haja a esta estrutura única que transforma cada dia num dia único para os seus espectadores, colaboradores ou simples visitantes...
A todos vós até já!